A engenharia sempre se apoiou na experiência, no julgamento profissional e no conhecimento acumulado ao longo de décadas de projetos. Hoje, a inteligência artificial está ajudando os engenheiros a acessar e utilizar esse conhecimento com mais rapidez, mas o engenheiro continua sendo o elemento central em todas as decisões.
De acordo com Hani Akkari, Diretor Técnico da Egis, a engenharia estrutural sempre foi uma disciplina intensiva em dados. Cada projeto gera informações valiosas, mas grande parte desses dados permanecia historicamente arquivado, sem ser plenamente aproveitado.
A inteligência artificial está transformando esse cenário ao converter dados históricos de projetos em conhecimento aplicável para apoiar empreendimentos futuros.
Em vez de dedicar semanas ao desenvolvimento de estimativas preliminares, agora os engenheiros podem acessar pontos de partida tecnicamente fundamentados de forma muito mais rápida, permitindo que concentrem seu tempo no que realmente importa: avaliar soluções, explorar alternativas e tomar decisões de engenharia mais qualificadas.
No entanto, como ele destaca, a inteligência artificial é tão eficaz quanto a qualidade dos dados que a alimentam. A qualidade dos dados continua sendo a base de qualquer previsão significativa e confiável.
Onde são tomadas as decisões mais importantes
A maior oportunidade para a aplicação da IA ocorre durante a fase conceitual do projeto.
É nesse estágio que as soluções ainda possuem elevada flexibilidade, as alterações podem ser implementadas com facilidade e as decisões tomadas terão impacto direto em todo o desenvolvimento subsequente do empreendimento.
Ao utilizar previsões apoiadas por inteligência artificial, os engenheiros podem iniciar os trabalhos a partir de alternativas mais avançadas, em vez de desenvolver cada opção do zero. O tempo economizado pode então ser direcionado para a análise de diferentes sistemas estruturais, materiais e abordagens de projeto.
Para os clientes, isso significa decisões mais assertivas nas etapas iniciais do processo, gerando impactos positivos em custos e cronogramas.
A previsão apoia. Engenharia decide.
O papel da IA é claro.
Ela fornece previsões baseadas em dados, mas não substitui o julgamento técnico da engenharia.
Como Hani resume:
"A IA estima, o método dos elementos finitos valida, e o engenheiro decide."
A análise de engenharia continua sendo indispensável, e a responsabilidade final permanece sempre com o engenheiro.
A confiança começa com os controles adequados
A engenharia é fundamentada na segurança e toda previsão precisa ser confiável antes de ser utilizada.
As previsões geradas por IA passam por filtros técnicos e processos de validação antes de serem apresentadas aos engenheiros. Esses resultados preliminares ajudam a acelerar o processo de projeto, garantindo que cada recomendação seja revisada e validada antes de avançar para as próximas etapas.
A tecnologia apoia o engenheiro, mas a responsabilidade nunca é transferida.
Transformando experiência em decisões antecipadas
Um exemplo prático é o ColumnEgisAI, uma ferramenta desenvolvida internamente capaz de prever dimensões preliminares de pilares em questão de segundos.
Em vez de aguardar cálculos detalhados, arquitetos e clientes podem analisar múltiplas alternativas estruturais durante as primeiras discussões de projeto, auxiliando na definição do empreendimento enquanto as soluções ainda estão em fase de concepção.
Uma abordagem semelhante é aplicada por meio do CoreWall AI, ferramenta que fornece espessuras preliminares para núcleos estruturais de paredes de concreto, considerando simultaneamente os deslocamentos laterais da edificação (building drift) e a otimização do consumo de materiais.
Em conjunto, essas ferramentas permitem que os engenheiros iniciem seus projetos com bases mais robustas, mantendo total supervisão e controle técnico ao longo de todo o processo de desenvolvimento.
O futuro pertence a engenheiros que sabem utilizar IA
Olhando para o futuro, Hani acredita que o papel do engenheiro continuará evoluindo.
À medida que a inteligência artificial assume tarefas repetitivas da engenharia, os profissionais terão mais tempo para se dedicar ao julgamento técnico, à inovação, à liderança e à responsabilidade profissional.
O futuro não se trata de competir com a inteligência artificial.
Trata-se de saber utilizá-la, questionar criticamente seus resultados e aplicá-la sob a perspectiva correta da engenharia.
"O engenheiro de sucesso não competirá com a IA; ele saberá utilizá-la, desafiar seus resultados e empregá-la dentro do contexto adequado da engenharia."
Confira no vídeo abaixo, em inglês, mais detalhes a partir do depoimento de Hani Akkari.