Frequentemente, a concessão é considerada a forma mais adequada de parceria público-privada para desenvolver e operar projetos aeroportuários de sucesso. No entanto, esse modelo não é simples de implementar. A experiência demonstra que projetos de concessão aeroportuária são empreendimentos complexos e de elevado custo, que exigem tempo para construir relações de confiança entre os diferentes stakeholders e alcançar consensos sobre a adequada alocação de riscos.
Desde 2020 a Egis vem promovendo uma alternativa (ou etapa preparatória) às concessões tradicionais por meio do desenvolvimento de parcerias aeroportuárias customizadas baseadas em Acordos de Serviços Técnicos (Technical Service Agreements - TSAs). Essas parcerias abrangem períodos significativos, variando entre 2 e 10 anos, e oferecem aos proprietários e operadores aeroportuários acesso a um amplo conjunto de competências técnicas, disponibilizadas tanto presencialmente quanto remotamente, para apoiar seus objetivos estratégicos e de melhoria de desempenho.
Olivier Baric explica melhor essa abordagem…
Dar suporte, não substituir.
No modelo TSA, não há transferência de propriedade nem de responsabilidade. Em vez disso, a Egis atua como facilitadora e mentora, apoiando as equipes locais e proporcionando acesso a especialistas operacionais de toda a rede aeroportuária do grupo.
Desde o início, nossa estratégia tem sido desenvolver competências nos aeroportos parceiros e posteriormente compartilhá-las.
Um exemplo é o apoio de Aly Ouattara, do Aeroporto Internacional de Abidjan, na Costa do Marfim, ao Aeroporto de Conacri, na Guiné, em seu processo de certificação.
Da mesma forma, na Tanzânia, Martial Sauthat, Diretor do Aeroporto de Brazzaville, serviu de suporte para o Aeroporto Internacional AAK Zanzibar na implementação das ações resultantes dos exercícios de emergência.
Esses especialistas operacionais, formados dentro da própria rede da Egis, trabalham em conjunto com especialistas técnicos da sede corporativa, promovendo transferência de conhecimento e intercâmbio de melhores práticas. Para os colaboradores locais, essa transição também tende a ser menos disruptiva do que a mudança normalmente associada à entrada de uma nova concessionária.
Flexibilidade para adaptação.
Diante da rápida evolução do setor da aviação, os Acordos de Nível de Serviço (SLAs), monitorados por meio de Indicadores-Chave de Desempenho (KPIs), desempenham papel fundamental para garantir a flexibilidade necessária e preservar a efetividade das ações implementadas.
Um TSA pode ser adaptado rapidamente às necessidades dos stakeholders, permitindo ajustes no foco dos entregáveis de acordo com o contexto operacional e os recursos disponíveis.
Em Conacri, por exemplo, nos três primeiros meses do acordo, tornou-se evidente que a principal alavanca para promover mudanças estava relacionada à gestão de projetos de engenharia. Como resultado, um dos pacotes de serviços inicialmente previstos foi substituído por um conjunto de atividades voltadas especificamente para gestão de projetos de engenharia.
De forma semelhante, em Zanzibar, metas anuais são definidas em alinhamento com as prioridades do operador aeroportuário, vinculando diretamente as atividades da Egis e sua remuneração ao alcance dos objetivos estabelecidos.
Alcançados resultados que realmente importam.
Assim como ocorre em uma concessão, um TSA também permite o estabelecimento de KPIs e mecanismos de remuneração atrelados ao desempenho. Isso transforma o TSA em uma ferramenta comercial pragmática e estratégica, capaz de gerar benefícios concretos tanto para a gestão aeroportuária quanto para o prestador de serviços.
Durante a estruturação do acordo junto às partes interessadas, são definidos incentivos alinhados aos resultados considerados mais relevantes. No caso de Zanzibar, os objetivos estratégicos abrangem um amplo conjunto de temas operacionais, técnicos, de manutenção e comerciais. Entre as prioridades iniciais destacam-se:
- Aprimoramento da gestão de segurança operacional (safety) e segurança patrimonial (security)
- Implementação de programas de manutenção preventiva
- Garantia da satisfação dos passageiros e usuários
Consequentemente, os KPIs estabelecidos para 2022 incluíram:
- Realização de inspeções e auditorias de segurança operacional
- Conclusão dos testes e exercícios de resposta a emergências aeroportuárias
- Desenvolvimento de um plano de gestão da fauna (wildlife management)
- Elaboração e consolidação de listas de atividades de manutenção
- Realização de pesquisas de satisfação dos clientes
