Prevenindo colisões em voo em um cenário de tráfego crescente e novos usuários do espaço aéreo, como drones
As colisões em voo acompanham a história da aviação desde seus primórdios. A análise de cada ocorrência impulsionou pesquisas e desenvolvimentos voltados à criação e ao aprimoramento de sistemas e procedimentos de segurança operacional.
Após décadas de pesquisa nos Estados Unidos, o primeiro Sistema Anticolisão de Bordo (ACAS) foi instalado em aeronaves comerciais no início da década de 1990.
Em 2002, ocorreu uma colisão em voo sobre Überlingen, na Alemanha, envolvendo uma aeronave comercial e uma aeronave cargueira, ambas equipadas com ACAS. O acidente resultou na perda de 71 vidas e revelou limitações relacionadas tanto aos procedimentos operacionais aplicados pelos pilotos quanto à versão do sistema utilizada à época. A investigação desencadeou uma ampla mobilização internacional para aperfeiçoar sistemas, procedimentos, treinamento e regulamentação. Na Europa, esse esforço foi coordenado pela EUROCAE e pela EUROCONTROL, reunindo fabricantes, provedores de serviços de navegação aérea, companhias aéreas, pilotos, reguladores e outros stakeholders.
Esse evento evidenciou a natureza abrangente e complexa dos sistemas ACAS, cuja eficácia depende não apenas da tecnologia embarcada, mas também de fatores operacionais, humanos e organizacionais.
Atualmente, a integração de drones ao mesmo espaço aéreo utilizado pela aviação convencional cria novos cenários operacionais e potenciais riscos de aproximações perigosas ou colisões. Como as características e o desempenho dessas aeronaves diferem significativamente dos aviões tradicionais, tornou-se necessário desenvolver uma nova geração de sistemas ACAS especificamente voltada para drones.
Um princípio fundamental dos sistemas ACAS é sua capacidade de operar com elevado grau de independência em relação aos demais sistemas da aeronave para geração de alertas. Ainda assim, algumas funcionalidades avançadas podem se beneficiar da integração com o piloto automático, sem comprometer a autonomia do sistema de prevenção de colisões.
Como o ACAS está plenamente incorporado às operações aéreas modernas, toda nova operação, procedimento ou conceito operacional deve ser avaliado quanto à sua compatibilidade com esse sistema. Em um contexto no qual a indústria busca continuamente aumentar a eficiência dos voos e a capacidade do espaço aéreo, a necessidade de expertise especializada em ACAS permanece tão relevante hoje quanto quando a Egis iniciou sua atuação nesse campo, há mais de 27 anos.
