O método tradicional baseia-se na medição direta das descontinuidades em campo. Além da orientação das fraturas, o profissional avalia características como rugosidade, alteração e preenchimento, informações importantes para a interpretação geomecânica do maciço.
Já a abordagem digital utiliza levantamentos aerofotogramétricos para gerar modelos tridimensionais do talude. A partir dessas nuvens de pontos, ferramentas como o Discontinuity Set Extractor (DSE) realizam a identificação semiautomática das principais famílias de descontinuidades, permitindo analisar um volume significativamente maior de dados em comparação aos levantamentos convencionais.
A principal diferença entre os métodos não está apenas na forma de aquisição dos dados, mas também na escala da análise. Enquanto o levantamento de campo fornece observações detalhadas em pontos específicos, a modelagem digital permite avaliar praticamente toda a superfície exposta do maciço.

Em estudo realizado pela Egis em um talude rochoso na cidade de São Paulo, os resultados obtidos pelos dois métodos apresentaram elevada convergência. Tanto o levantamento tradicional quanto a extração digital identificaram os mesmos mecanismos potenciais de instabilidade, incluindo cenários de ruptura planar e ruptura em cunha. Nenhuma das abordagens indicou condições favoráveis para ruptura por tombamento.
Essa consistência demonstra que os levantamentos digitais podem fornecer resultados compatíveis com aqueles obtidos por métodos consolidados de campo, reforçando sua aplicação como ferramenta de apoio à tomada de decisão.
A comparação evidenciou benefícios importantes da abordagem digital. O DSE permitiu identificar um número maior de descontinuidades e ampliar a representatividade espacial da análise, especialmente em áreas de difícil acesso ou sujeitas a restrições de segurança. Além disso, o processamento ocorre de forma mais rápida quando comparado ao levantamento manual de um grande número de estruturas.
Por outro lado, o estudo também mostrou que a automação exige validação técnica. Elementos como vegetação, obstáculos superficiais e ruídos presentes na nuvem de pontos podem ser interpretados incorretamente pelo algoritmo, gerando famílias de descontinuidades que não representam estruturas geológicas reais.
Esse aspecto reforça um ponto importante: a tecnologia amplia a capacidade de análise, mas a interpretação especializada continua sendo indispensável para garantir a qualidade dos resultados.
A principal conclusão do estudo é que não se trata de escolher entre o método tradicional e o digital. Cada abordagem contribui de maneira diferente para a caracterização do maciço rochoso.
O levantamento de campo permanece fundamental para validar as observações, identificar características geomecânicas e interpretar aspectos que ainda não podem ser totalmente capturados por modelos digitais. Já as ferramentas de extração automática oferecem maior cobertura espacial, rapidez na aquisição de dados e redução da exposição das equipes às áreas de risco.
Conforme tecnologias como fotogrametria, LiDAR e inteligência artificial evoluem, as investigações geotécnicas se tornam cada vez mais integradas. Com isso, a combinação entre experiência de campo e análise digital representa um caminho promissor para tornar o mapeamento estrutural mais seguro e confiável.
